Em primeiro lugar, uma bomba que talvez possa ter passado ao lado dos mais distraídos: a minha gestão de redes sociais é u-ma mi-sé-ria.

– “Ah e tal, até parece que não estudaste marketing, não pode ser.”

– “É um desperdício, devias mostrar-te mais, mostrar mais as coisas maravilhosas que fazes!” (são “eles” que dizem!).

Tudo certo, excepto que me dá tão mais prazer fazer todas as coisas que acontecem atrás do pano (mais ou menos glamorosas, porque também há o passar a ferro, colar entretelas ou desmanchar costuras infindáveis, blaaagh!), que depois às vezes, realmente, me desleixo em montar o show, mas como pelo caminho já fizemos um/a cliente feliz, já nós ficámos felizes também e isso é, além de um tremendo clichê, o mais importante aqui no atelier. Pronto, falei.

Posto isto, tenho duas ou três coisas para partilhar convosco, talvez com ligeeeeeeeeeiro atraso, mas isso agora não interessa nada (alô Teresa Guilherme!).

Ainda era Primavera, mas soube a celebração da chegada antecipada do Verão, quando estive na Quinta de Sant’Ana, a saborear um dos seus maravilhosos piqueniques, com alguns amigos e família.

Por coincidência, duas das ilustríssimas convivas tinham vestidos a ser feitos no atelier e rapidamente da coincidência fizemos missão: levar estas modelos da vida real ao piquenique, com look Madame Cavalleri – o cenário era perfeito para fazer o registo fotográfico! Tudo lindo, trabalhos entregues, clientes felizes (lá está!) e a própria da Cavalleri sem um look a combinar… Não podia!

Corta para, três dias antes do piquenique, a mesma Cavalleri divaga sobre a ideia de fazer omeletas sem ovos: “que tal fazermos um vestido com este tecido lindo que fecha na perfeição a combinação entre estampas, com este 1,20mt mal medidos e com padrão com preceito, que só pode ser cortado numa direção, e que eu gostava que tivesse laçadas e recortes e tudo e tudo, e tudo?”

Entra em cena a mestra Aida, com o incrível dom de “fazer crescer o tecido” como só ela tem e dá-se o primeiro milagre: a multiplicação dos ananases acontece!

Mas era preciso transformar o monte de fruta numa peça de roupa e a fada Lina conseguiu o segundo milagre, que não posso dizer às clientes que até conseguimos – fizemos um vestido tooooodo num dia! Um vestido forrado, todo caseado e acabado à mão, com as ditas laçadas e recortes que eu tinha idealizado, um sonho!

Deixo-vos alguns registos do piquenique, para o qual até parece que os looks foram feitos de propósito (cof, cof), e que foi em tudo perfeito: desde a calma e tranquilidade que emana na Quinta, o dia ensolarado, o delicioso menu, o refrescante vinho (de produção própria), o campo flores biológicas que apetece trazer inteirinho para casa e, claro, a maravilhosa companhia destas famílias que alinham nos programas de índios mais mirabolantes, nomeadamente em sessões fotográficas para desfile de modelos que, aliás, acabou por não acontecer. Ou melhor, aconteceu junto com a vida a ser vivida. Há melhor?

Então, estou desculpada de aparecer pouco por aqui? Prometo tentar melhorar, mas se não me forem vendo por cá, já sabem que devo andar entre linhas e tecidos e uma qualquer fantasia incrível para tornar realidade, que nunca conseguiria concretizar sem a equipa e o espírito de colaboração, entreajuda (e paciência para me aturar) que faz um atelier, o nosso ❤