Faz hoje exatamente 60 dias que fechámos a porta do atelier, mas na verdade, nunca fomos embora. Nunca parámos de idealizar, desenhar e até… de costurar. E entre todos os novos desafios que cada um de nós, a partir das nossas casas, enfrentou, de certeza que todos descobrimos novas formas de olhar para a nossa vida e tudo o que nos rodeia. 

Eu não entrei na corrente “pãodemia”, não li 20 livros, nem fiz o desejado curso de macramé, mas concluí arranjos de bricolagem e projetos de decoração eternamente adiados, arrumei armários, voltei a ganhar mão nos cozinhados que tinha deixado de fazer, fiz mais exercício do que nunca e até voltei a tocar piano (este último uma vitória e motivo de orgulho, que não vou deixar esmorecer!).

Ao mesmo tempo, a nossa estrutura familiar (às vezes bipolar, é certo) criou uma dinâmica que nunca foi tão íntima e próxima – os meus filhos, por exemplo, passaram a ser “mais irmãos” que nunca. A família e os amigos nunca “andaram” tanto lá por casa, mesmo que faltasse o abraço de verdade. A gestão de necessidades encontrou uma hierarquia mais natural e muito mais equilibrada.

Portanto, apesar de claramente não estarmos a viver – coletiva e individualmente – os melhores meses das nossas vidas, prefiro ver o copo meio cheio e perceber como os obstáculos são, simultaneamente, autênticas portas abertas para (nos) melhorarmos. É preciso, agora, que não nos esqueçamos de perpetuar essas melhorias, outro grande desafio.

Mas enfim, tudo isto para dizer que tínhamos saudades do atelier, mais ainda, sentimos a sua falta e que finalmente… voltámos!

Temos implementadas todas as medidas de segurança para que nos visitem tranquilamente e, portanto, só falta ouvir a campainha tocar novamente. Até já 🙂