Apresento-vos a Alexandra. A Alexandra é uma mulher como as outras – leia-se, portanto – uma super-mulher. É uma profissional de mão cheia, uma mãe extremosa, dona-de-casa dedicada, atenciosa com o seu noivo (Alexandra, se me estás a ler, temos que tratar do vestido de noiva!), sempre disponível para os amigos e amiga da sua família. E eu sei tudo isto, porque além de ser uma cliente especial, tenho a sorte de ser também sua amiga.

Já vos tinha falado da Alexandra, quando no ano passado fiz este post, sobre o serviço de consultoria de imagem e organização de guarda-roupa, que a Madame Cavalleri também disponibiliza. E com a Alexandra fizemos um trabalho 360º, em modo “Casa Nova, Vida Nova”, com direito a walking closet feito por medida para incorporar o resultado do trabalho que fizemos juntas – e um guarda-roupa totalmente renovado.

Na minha opinião, foi uma jornada muito produtiva e recompensadora, mas melhor que ser eu a falar-vos dela, pedi à Alexandra que me contasse pelas suas próprias palavras o que achou desta experiência. Aqui fica o seu testemunho, e um vislumbre do invejável closet de que passou a dispor todas as manhãs para se arranjar, antes de pôr a sua invisível capa (que todas nós secretamente usamos).

Espero que gostem e obrigada à Alexandra ❤

Qual o teu objetivo principal ao procurar o serviço de organização de guarda-roupa?

Estava em fase de mudança de casa, e achei que seria a altura ideal para rever todo o guarda-roupa e levar para a casa nova apenas aquilo que faz sentido. Atenção que mudei para uma casa muito maior, ou seja, esta minha decisão nada teve a ver com espaço, mas sim com vontade de realmente vestir e ter aquilo que é bonito e me fica bem.

Este é um serviço ainda pouco comum no nosso país; trazias alguma expectativa ou ideia pré-concebida de como seriam estas sessões de trabalho?

Confesso que tinha algumas ideias pré-concebidas, sim, achava que ia ter imensa vergonha por exemplo, de estar a vestir a despir roupa, ou de assumir que ainda guardava aquelas calças com 10 anos na esperança de ainda caber dentro delas…

Por outro lado sentia que era importante para mim realmente perceber como posso tirar partido das partes “mais bonitas” e ocultar as partes “menos bonitas” do meu corpo.

Foi um processo demorado?

Penso que o tempo será sempre dependente da quantidade de roupa, sapatos e acessórios que uma pessoa tem, no meu caso diria que possivelmente teríamos despachado a coisa num dia inteiro, se tivéssemos começado de manhã e terminado à noite, mas isso não foi possível por constrangimentos profissionais e pessoais, essencialmente da minha parte. Acho que demorou o tempo que teve que demorar, não estivemos a “engonhar”.

O trabalho de organização de guarda-roupa tem, claramente, uma vertente de curto-prazo, em que tudo fica arrumado e organizado, mas implica também um trabalho de imersão sério, com objetivos que – espero – se mantenham a longo-prazo. Quais foram os maiores ensinamentos que retiraste da experiência?

O resumo que a Madame Cavalleri fez de toda a nossa experiência foi muito importante, e volta e meia, revisito-o. Aprendi os cortes que ficam bem, o tipo de manga, as cores, os materiais, os padrões. Até para os sapatos há regras, uma sola mais grossa faz uma diferença imensa, por exemplo. 

Agora, quando vou as compras já não vou ver coisas que sei que não me ficam bem só porque estão na moda. Botas de cano alto são lindas, mas a mim ficam-me mal, para quê insistir? Mais vale substituir por outro calçado que nos favorece mais, e ele existe! Se não é nota 10, não leva! 

Aprendi também que comprar em saldos pode ser uma asneira. Nunca comprar nada em saldo que não compraria no full priceSo true… tinha peças no armário com etiqueta há meses…

Redescobri peças no meu armário, novas formas de as usar. Também tive a vantagem de ter uma Madame que é costureira e fez pequenos e grandes arranjos que fizeram toda a diferença. Tive imenso tempo sem vontade de comprar nada, pois senti realmente que tinha um guarda-roupa novo.

Se tivesses que escolher apenas uma palavra para definir toda a experiência de escolher, selecionar, provar, desapegar e, por fim, organizar todo o teu guarda-roupa, ela penderia mais para “dolorosa” ou “libertadora”?

Hum… diria mais próxima de libertadora, mas sugeria uma palavra diferente, para mim esta experiência foi uma descoberta, uma aprendizagem, que me ajudou a estar mais confortável no meu “eu”, sem ambicionar ter um corpo diferente (quer dizer, bem que podia ter uns quilinhos a menos, but that is what we all want, right?)…

Queres deixar uma opinião ou conselho sobre a pertinência deste serviço? Porque, de repente, ter uma pessoa estranha a entrar-nos em casa e a vasculhar (também) os pijamas rotos que são os nossos favoritos ou dizer-nos com toda a frontalidade que a camisa que temos (e amamos) desde os 17 anos nunca nos ficou bem pode ser um bocadinho avassaladora, concordas?

Há um aspecto particular que para mim fez toda a diferença que foi a ausência de julgamentos. Neste processo o gosto pessoal da Madame Cavalleri teve pouca importância. Ou seja, ela focou-se essencialmente nos cortes que ficam bem, na qualidade dos materiais e da confecção das peças e do facto das peças estarem fora de moda ou fazerem-me parecer a idade que não tenho, ou demasiado velha ou demasiado nova. Apenas em situações específicas, e após questionada, verbalizou a sua opinião sobre algo de que gostou ou não. E isto acho absolutamente essencial. Eu não procurava uma mudança de estilo, procurava sim compreender o que me fica bem, o que me fica mal e libertar-me de coisas que erradamente achei que devia manter e nunca iria ter coragem para dar.