Muda de vida se tu não vives satisfeito

Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar

Muda de vida, não deves viver contrafeito

Muda de vida se há vida em ti a latejar.

Não é caso para dizer que vivesse insatisfeita, a verdade é que a minha vida tem sido quase exclusivamente recheada de coisas boas: uma alma gémea que tive o privilégio de encontrar, uma família a quem dou e de quem recebo muito amor, dois filhos por quem morreria agora e uma mão cheia de amigos com quem sei que posso contar.

Era mais como um lado de mim que não conseguia ver a luz do dia… um dia-a-dia demasiado preenchido pela vida profissional – à qual sou muito grata, porque me ensinou tanto e fez de mim muito do que sou hoje – uma constante to do list com demasiados pontos para concretizar e aquele sonho sempre chutado para o fim da lista.

Mas a vida é sábia (ou sábios são os que sabem ler os sinais?) e quis o destino que eu atravessasse o Atlântico para uma estadia de 3 anos em São Paulo, no Brasil. Durante uma entrevista de emprego, na mesma companhia para a qual trabalhava em Portugal, a epifania: mudei o meu mundo de pernas para o ar, tenho perante mim um horizonte totalmente em branco e vou continuar a fazer o mesmo que sempre fiz? Nem pensar.

Semana seguinte, o plano posto em prática: desbravar terreno e uma sede enorme de aprender, para fazer nascer aquele tal sonho – estudar moda.

Foram três anos de aprendizagem intensa que passaram a voar e o regresso a Lisboa não podia ter vindo mais bem recheado: novas competências adquiridas, uma cabeça a fervilhar de ideias para pôr em prática e… um bebé na barriga!

Durante os últimos três anos conciliei as maravilhas e desafios da maternidade (em dose dupla), com as maravilhas e desafios de um trabalho em part-time num atelier de alta-costura em Lisboa.

Mais uma vez o destino a encaminhar a minha vida, ou as minhas escolhas a definirem o caminho? Nunca saberei, mas pouco importa. O que sei é que, de uma forma muito natural, se reuniram as condições para pôr em marcha os sonhos e projetos antigos e fazer finalmente nascer aquele que achei que seria o meu “primeiro filho” e que acaba por ser o terceiro.

“Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar (…)

Muda de vida se há vida em ti a latejar”

A latejar, a fervilhar, com muita energia, dedicação e amor, já estou curiosa para ver o que a vida me reserva daqui para a frente. Ou melhor, com que linhas me vou coser.